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Melhor do que Hajj

O grande Imám Abdulláh bin Mubárak (rahimahulláh), costumava efectuar Hajj com muita frequência. Ele levava muita bagagem e viajava numa caravana com um grande número de serventes e outros companheiros quem ele costumava levar na sua viagem.
Numa das viagens para Hajj, havia um servente que tinha uma perdiz. No percurso da viagem, o servente notou que a perdiz estava morta. Sabendo que a carne da perdiz não podia ser consumida, o servente deixou-a numa lixeira próxima.
Entretanto, Abdulláh bin Mubárak encontrava-se montado no seu cavalo, quando de repente, viu uma jovem espreitando da porta da casa próxima da lixeira. Ele apercebeu-se que ela estava a espera de uma oportunidade para sair sem ser vista. Ele virou-se e fingiu que não a tinha visto. Assim que ele se virou, ela saiu correndo em direcção da lixeira vestindo apenas um pedaço de roupa, de seguida, agarrou a perdiz morta e correu de volta para a casa em grande velocidade. Abdulláh ficou preocupado com a condição da jovem e assim, ordenou ao seu servente que dirigisse à porta da pequena casa onde morava a jovem e batesse a porta. O servente assim o fez, e a menina veio até a porta. Abdulláh aproximou-se dela e perguntou por que razão ela levou o pássaro morto, ao que a mesma respondeu: “Eu moro com a minha irmã. Nós não possuímos nada para além deste pedaço de roupa que estou vestindo. Nosso pai era um homem rico, mas quando faleceu, fomos injustiçadas e a nossa parte da herança foi nos arrancada. Desde então, vivemos em tanta pobreza e fome que, mesmo consumir a carne de um animal morto é permissível para nós. Não há nada nesta casa além deste pedaço de roupa, quando eu uso o pedaço, a minha irmã fica sem nada para vestir. Isto é nosso vestuário e nosso cobertor.”
Abdulláh bin Mubárak ficou sentido pela triste situação das meninas. De seguida, ele virou-se para o seu tesoureiro e ordenou-lhe que entregasse a menina todo o dinheiro que trazia consigo e guardasse 20 moedas de ouro que era o suficiente para as despesas de regresso. (O dinheiro consistia em 1000 moedas de ouro.)
No regresso ao acampamento, alguém lhe perguntou a razão por ter cancelado o Hajj, ao que respondeu: “Foi me concedida a oportunidade de ganhar uma recompensa maior do que o Hajj facultativo.” (Al Muntazam li-ibnil Jawzi vol. 9 pág . 62)
Lições:
1. É extremamemte importante destinguir as prioridades, assim como Abdulláh bin Mubárak, que apesar de seus planos de fazer Hajj, ele apercebeu-se que a necessidade do momento e a acção mais prioritária era ajudar as meninas que careciam de auxílio.
2. Se alguém não possui a capacidade de viajar para as terras abençoadas para fazer Hajj facultativo, não significa que ele estará privado de recompensas. Ás vezes, pode-se ganhar mais recompensas, empenhando-se no Ibádat que é mais importante naquele momento.
3. Um crente não deve ter a atitude de “cada um por sí.” Mas sim, deve fazer tudo que estiver a seu alcance para ajudar o outro crente na dificuldade.

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